
Estou a te observar, caminhamos um ao encontro do outro, consigo ver seus olhos por entre as sombras, caminhando em sua direção percebo que vens rumo a minha, cada olhar seu, vem de encontro aos meus, porém muito mais que o olhar se encontra nesse tempo. Estamos tão perto um do outro que consigo ouvir sua respiração me chamando, consigo sentir de alguma forma sua presença em meus braços sem nem ao menos ter lhe tocado. Olho novamente em seus olhos e reparo que estão distantes, como a quem observa ao nosso redor, creio que talvez esse seja um dos problemas, o observar ao redor que embaça nosso foco, que deixa tudo em uma eterna miopia. Seus olhos me percebem, seus olhos me levanta, me consola e retornam e se voltam para mim, sinto você cada vez mais presente, cada vez mais aqui. Abro meus braços como um ato de encontro, vou em sua direção para lhe contemplar com o mais puro e terno abraço, consigo sentir minha respiração se igualando com a sua, nossas cabeças se cruzando e seu coração pulsando sempre mais e mais, e antes que o ato se complete, somos arrancados por uma multidão que lhe empurra para longe, vejo-te indo e se distanciando, adentrando a imensa sombra que um dia meus olhos te encontrou.
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