preciso ser feliz, ser bonita, ser inteligente, ser culta, gostar das pessoas, ter amigos, um amor, ir com a cara de todo mundo, usar a ultima moda (por mais contraditório que isso posso parecer), gostar do que todos gostam, comer verdura, beber água mineral artificialmente gaseificada ou sucos naturais, é preciso sair de casa, visitar shoppings, ter um bom relacionamento com os pais, um namorado bonito, prestativo e que faça sua amigas morrerem de inveja. É preciso ir bem nos estudos, ter vida social, ter opinião política e religiosa de acordo com a maioria, para não causar polemicas, obvio.
Se bem que não é preciso ser tudo isso. È só fingir.
Fingir tudo isso, fingir bem, de maneira que ninguém percebe, o que nem precisa ser tão bem assim, já que todo mundo está preocupado demais com suas próprias atuações para reparar na do outro, Não há diretores, o cenário é o mundo, a platéia está ausente, e mesmo que estivessem aqui, fingiriam prestar atenção, como normalmente fizemos. Palco? Sua vida.
Finga ser feliz, ser esperto, inteligente, estar de acordo com todos. Finja não gostar de polemicas e coisas excêntricas. Finja amar a todos, das plantas aos Smurffis. Da água a moda da estação. De Mao tze-tung a globo. E não se importe, afinal ninguém ira se importar mesmo. Nesse jogo, você não pode é ser você mesmo. A não ser que ser você mesmo signifique ser um anencefalo.
Agora, se você desviar um milímetro dessa linha de comportamento, e não ser tão feliz ou tão bonito assim, excluirão você. E, lógico todos sabemos disso. Fizemos intencionalmente, ou não, a mesma coisa.
Mas sabe, quando mesmo sabendo de tudo isso, tu simplesmente não te importa mais? Você sabe que deve fingir ser feliz, fingir ser bonita, fingir se importar, fingir que sabe. Você sabe que deve fingir que é o que todos esperam. Que deve ter vida social, que deve sair de seu quarto, que deve fazer algo alem de contar as rachaduras do teto e acompanhar 24h a vida das aranhas que fazem dos cantos do quarto seu lar, tu sabe que precisa comer, tomar banho, mas. Mas…você simplesmente não se importa.
Não faz sentido, não tem por que.
Não há expectativas, não a perspectivas, simplesmente não vale a pena.
E é isso, fico aqui, pensando se aranhas também se sentem assim, se elas fingem viver bem, ou se ficam simplesmente presas a seus pensamentos aracnóides, pois como eu, sabem que não tem futuro.
Talvez o suicídio delas seja correr para baixo de um sapato.
Mas talvez elas também sejam fracas.
( Kamilla Golin )